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Para Continuar, de Felipe Colbert

PARA_CONTINUAR

Para Continuar é um romance brasileiro, segundo do autor pela Novo Conceito, que conta a história de Leonardo, um jovem universitário com um sério problema no coração, e Ayako, uma órfã moradora do bairro Liberdade, que se vêem pela primeira vez no metrô. É um romance com um toque de mágica. Eu tinha ouvido muito bem de Belleville, então fui com expectativa neste livro.

Para mim, como leitora, percebi que havia algo de bonito na narrativa, mas que se perdeu na narrativa em primeira pessoa. Fui muito mais envolvida quando a narrativa estava em terceira pessoa porque a narrativa tinha um ritmo/sonoridade bonita quando não trazia detalhes em excesso.

Ou eu simplesmente não gostei do personagem de Leonardo. Ele não me cativou, e sua narrativa me pareceu muito comum: interrupções para comentários aleatórios, uma personalidade que me parece comum a todos personagens narrados em primeira pessoa.

Falando de personagens, vi pouco desenvolvimento. A meu ver, os personagens permaneceram do início ao fim no mesmo lugar.

Mas com o passar do livro, o interesse na história morreu. Diálogos poucos naturais, o toque mágico que ficou em segundo – quiçá em terceiro plano. Um desenvolvimento rápido e cru que subestima a capacidade do leitor de entender e mastiga e mastiga e mastiga a informação. Mastigou tanto que nada me surpreendeu, eu praticamente li aquilo que já tinha se formado na minha cabeça.

Não foi um livro insuportável, apenas previsível demais e com pouco uso da mágica. A bem da verdade, acredito que se o livro tivesse que ter mais páginas de desenvolvimento da história e personagens. E da mitologia, que poderia ser o sustento da história para que ela não caísse no sono.

Ainda lerei Belleville porque este pode ser o livro mais fraco do autor e eu realmente quero ler mais de autores nacionais.


A História Secreta, de Donna Tartt

A_HISTORIA_SECRETAQuando saiu o livro O Pintassilgo, da autora Donna Tartt, foi um furor nos blogs. Todos pareciam interessados em lê-lo, mas vi poucas resenhas saírem. E vou confessar que nestes anos acompanhando blogs/vlogs literários adquirir uma cerca aversão a livros que causem furor na mídia. Por isto O Pintassilgo não me interessou nem ao ponto de querer saber que meleca seria “pintassilgo” (que, para conhecimento, é o nome vulgar dado a várias aves do gênero Carduelis – ênfase no “vulgar” porque para mim este nome é difícil de pronunciar).

Mas então temos o Tumblr. Fora dos blogs/vlogs literários, navegando por blogs de fãs que escrevem fanfics, desenham fanarts e fazem maravilhosas manipulações e montagens de imagens para ilustrar cenas e sentimentos de um livro, eu descobrir A Canção de Aquiles. E nestes eu descobrir A História Secreta. O que eles tem em comum? A Grécia. De forma bastante diferente.

A História Secreta trás, logo no início a informação que um grupo matou uma pessoa e o protagonista narrador está envolvido.

A narrativa pode atrapalhar alguns leitores, principalmente se o leitor for majoritariamente leitor de livros jovens adultos. Não é uma narrativa muito densa, mas é de longos parágrafos introspectivos, principalmente sabendo que é narrado em primeira pessoa. Nas primeiras 150-180 páginas o narrador conta a história (a qual já ocorreu, ele relembra) de quando ele não sabia o que estava acontecendo. Volta e meia ele fala que ele devia ter percebido que algo estava acontecendo, mas ele não fala o que ele descobriu posteriormente. É uma história lenta que começa com um assassinato e volta no tempo. Claro que tudo que está nas 200 primeiras páginas faz parte da construção da história e personagens, mas o leitor só começa a entender para onde o livro vai lá pela página 200 mesmo.

Isto é ruim? Nem sempre. Não no caso de A História Secreta, pelo mesmo. O leitor é preso pelos personagens. Os carismáticos gêmeos, o refinado demais Francis, o misterioso Henry, o fanfarrão hipócrita Bunny e Richard, o narrador da história que esconde sua condição financeira de todos e parece estar sempre contestando a sexualidade alheia (sério, uma fixação).

Ou seja: personagens ricos/aparentemente ricos com desvios morais. Ou, como gosto de chamá-los, os melhores personagens para se ler um livro sobre.


Os Deixados Para Trás, de Tom Perrotta

OS_DEIXADOS_PARA_TRASQuando peguei para ler este livro a primeira coisa que eu vi era que falava sobre o arrebatamento. Não sei se já deixei claro aqui, mas livros com temáticas religiosas sempre me deixam… desconfortável. Por isto iniciei a leitura deste livro bastante cética.

O livro conta a história de algumas pessoas que foram atingidas diretamente e indiretamente pelo arrebatamento. Contudo distribui possibilidades de fanatismos religiosos, mostrando várias formas que nós, meros humanos, lidamos com nossa própria ignorância.

A leitura do livro, o fato de se focar em um evento que não se preocupa em explicar muito, a forma como é alternado constantemente o personagem me lembrou de Morte Súbita, da J. K. Rowling. Não é uma comparação, nem estou falando que são temáticas parecidas. A forma de contar a historia, os tipos dos personagens completamente imperfeitos e problemáticos e o final é que me lembrou do outro livro. Falo isto porque muitos não gostaram do estilo de Morte Súbita, então fica a dica que pode ser que não gostem muito de Os Deixados Para Trás.


O Herói Perdido, de Rick Riordan (Os Heróis do Olimpo 1/5)

O_HEROI_PERDIDOEu li Percy Jackson e os Olimpianos há muito tempo atrás (ganhei o primeiro livro no natal de 2008 e devo ter lido em 2009). E eu gostei e não entendia o porquê muitas pessoas falavam que não gostavam da escrita do Rick Riordan. Bem, agora eu entendo.

O Herói Perdido é o primeiro livro da série continuação de Percy Jackson e os Olimpianos. Sim, é uma continuação. Não, não recomendo ler antes da primeira série. Há muitos detalhes que só fazem sentido se você leu a série Percy Jackson e os Olimpianos. Por exemplo: quem é Percy Jackson? Ou: o que foi a guerra dos titãs?

Move on… a história desta nova série segue a mesma linha da primeira: um grupo novo de semideuses que acabam em uma missão para salvar o mundo moderno destruindo velhas criaturas e deuses da mitologia antiga. Nada novo, além de misturar mitologia grega com a romana. Isto é ruim? Não. É uma história boa, divertida. Tem uma boa pitada de humor.

“(…)Ele deve coragem de resistir à nossa oferta de imortalidade e disse que deveríamos prestar mais atenção às nossas crianças. Mas, olhe, não se ofenda.”
“Por que ficaria ofendido? Por favor, continue me ignorando.”
“Muito compreensivo de sua parte” disse Hefesto, franzindo a testa, e depois suspirou, cansado. “Isto foi sarcasmo não foi?(…)”
(p. 263 – Hefesto falando com seu filho semideus)

Então qual o problema? A escrita. Não vou dizer que ela quase me fez largar o livro, mas algumas vezes deu uma agonia chata. O problema é: o autor subestima o leitor. Ele repete demais as coisas, escreve as conexões que o leitor já está fazendo. É muito tell e pouco show. Sem contar que a alternância de ponto de vista entre os três protagonistas fazem o leitor reviver cenas e sentimentos três vezes às vezes. O autor sente que tem que dizer qual o impacto de determinadas situações para os três, coisa que ele podia mostrar uma só vez. Até mesmo o humor se torna repetitivo, às vezes.

Outro ponto: é difícil ver características individuais dos personagens. Em determinado ponto eles têm o mesmo tom de ironias e a mesma voz.

Estou longe de dizer que o livro é ruim. É preciso levar em conta que o livro é considerado infanto-juvenil (o que não desqualifica a crítica de subestimar o leitor), o livro diverte e eu estou quase passando o segundo livro da série na frente de outras leituras.


Furando as Páginas #27: Sobre ressacas literárias, desânimo e abandono

O que falarei agora pode chocar muitas pessoas, então, cardíacos procedam com cautela: eu tenho lido muito pouco este ano. Não, não, por favor, não arrume desculpas para mim. Apesar de ter trocado de emprego no final de 2014 (por final, quero dizer dia 28 de dezembro!) e apesar de eu ter que aprender um trilhão de coisas novas para este novo emprego (que inclui contabilidade… que, olha, não é legal como matemática), esta não é um boa desculpa.

A boa desculpa foi uma ressaca literária pós Blue Lily Lily Blue (Lírio Azul, Azul Lírio), terceiro livro da série The Raven Cycle/A Saga dos Corvos, minha nova série-obsessão após Harry Potter, da maravilhosa Maggie Stiefvater, minha mais nova autora favorita. Ressaca braba. Desesperador.

Mas esta também não é uma boa desculpa para ter lido a média de 1,5 livro por mês no primeiro semestre. E quanto mais tempo passava sem ler, menos eu me sentia com vontade de resenhá-los e um desânimo me bateu e uma vontade de abandonar o blog. Eu tentei hospedá-lo em outro servidor para melhorá-lo, mas deu tudo errado. Eu me senti como a Riley em Inside Out (Divertida Mente). E sim, de ressaca literária, com o stress de aprender meu novo ofício, a frustração da pós-graduação, e mais uma penca de coisas, a depressão pode ter me pegado. Depressão é como o vírus da gripe comigo: está sempre no organismo e só é preciso uma queda de temperatura que bum – vem.

inside out - sadness arrastada pela joy

E então eu percebi que eu não devia nada a ninguém. Eu não estava a fim – então eu não faria. Só tenho parceria com a Novo Conceito, que estou solicitando apenas o que eu realmente realmente REALMENTE acho interessante. Sei que estou atrasada nas resenhas dos livros deles, mas vou colocar em dia. Já percebi que forçar só será pior. O resultado disto é que no Skoob estou com 17 livros “lendo” e posso dizer que pelo menos metade deles não me interessam nem um pouco.

Mas boas coisas vem com os males da vida. Dos míseros 11 livros lidos em 7 meses (ano passado li 24 livros neste mesmo período), posso dizer que todos foram boas leituras, com 3 leituras favoritadas – nível TOP, para levar para vida! Ou seja, a qualidade dos livros lidos melhorou. E isto me deixa bem comigo mesma.

O que quero dizer com isto? O de sempre: o importante não é quantos livros você leu, e sim o que você sentiu em lê-los. Mesmo aqueles que não foram favoritados foram lidos em um momento que pediam um livro como ele. Como Os Segredos de Colin Bridgerton, que eu classifiquei com 4 estrelas. Para mim ele foi o pior dos três livros da série (os dois primeiros também receberam 4 estrelas), mas quando o li eu precisava deste romance óbvio, doce, diabético, então tenho uma boa lembrança de tê-lo lido e não uma dor de consciência de “já estou lendo poucos livros e ainda li um livro ruim???”. Possivelmente esta foi a razão por ele ter recebido 4 estrelas e não 3 ou até 2 que daria com certeza no ano passado.

Resumindo: dê um tempo, respire. Pare de tentar fazer estas maratonas. Você nem mesmo estuda mais, você trabalha – então qual o sentido de participar de maratonas de julho (que seria maratona de férias)? Pare de tentar alcançar metas “impossíveis”. Leitura é uma diversão e se a leitura se torna uma obrigação, estamos fazendo errado.

Claro, ler é bom, ler é importante e algumas vezes obrigatório. E por isto mesmo temos que curtir o processo. De nada adianta você finalizar um livro e nem saber o que aquele livro vez com você, que sentimentos despertou em você – nem que seja “apenas” de prazer, de risada.

Respire. O tempo corre, é verdade, mas a verdade está em um velho ditado: “a pressa é inimiga da perfeição”.

(Ironia: estou fazendo várias resenhas no dia que estou de atestado devido a uma gripe que evoluiu para sinusite e infeccionou meu tímpano – estou ruim, mas isto me deu ânimo. Lógica para quê?)


A Canção de Aquiles, de Madeline Miller

A_CANCAO_DE_AQUILESA Canção de Aquiles é uma releitura da história do grego Aquiles e a guerra de Tróia contada na Ilidia, de Homero. Eu nunca li Ilidia. Eu não conheço muito da mitologia grega. A única coisa que vi sobre a história de Aquiles foi o filme Tróia. Logo eu vou acreditar que o livro segue fiel à história “original”.

A primeira coisa que precisa ser dito é que muitos classificam este livro como jovem adulto. Talvez porque tenha ficado muito na hype devido colocar o herói Aquiles em um relacionamento com Patroclo. Sério, busque no Tumblr e você verá. Falando em Tumblr, foi lá que eu primeiro ouvir falar deste livro e fiquei com vontade de lê-lo. E já falo: não fique no Tumblr pulando de tag em tag se você não quiser várias dicas de livros que destruam seu coração.

É isto que A Canção de Aquiles fará com você: destruir seu coração de leitor. A história é contada por Patroclo, um príncipe da Grécia que nasceu magro e um tanto inutil para uma sociedade que prezava os guerreiros. Contando como ele conheceu Aquiles e a jornada pela qual passaram, o livro segue em uma narrativa sem muitas frilulas.

A autora escreve com poucas palavras uma história que deixa o leitor apreensivo, desenvolvendo os personagens longe da etiqueta de herói. Há tantos defeitos nos “heróis” que o leitor chega a se questionar quem é o herói e quem é o vilão. Spoiler alert: não há heróis e vilões. Patroclo parece não ter respeito a si mesmo, Aquiles é extremamente egoísta – cego a tudo que não seja sobre ele -, temos mães protetoras em excesso, comandantes amorais e tudo com deuses inconvenientes.

A construção gradual do relacionamento de Patroclo e Aquiles, com o amadurecimento (o que não significa o aumento da sabedoria) de ambos ao decorrer do livro é fantástico e na medida certa. Em nenhum momento o leitor fica cansado do livro ou deseja largar o livro.

Bem. Talvez com exceção das últimas 100 páginas. Sério. Preparem os corações. A “parte final”, ou seja, a parte que começa a fechar o livro, é um desespero para qualquer leitor.


Eu Te Darei O Sol, de Jandy Nelson

EU_TE_DAREI_O_SOLLaços de sangue e de DNA não significa amor imenso e incondicional. Eu luto contra este estigma todos os dias da minha vida. Esqueça todos estas imagens que se multiplicam no Facebook. Nem sempre os membros de um núcleo familiar vão se amar eterna e incondicionalmente. Nem sempre seu irmão/irmã/prim@ será seu/sua melhor amig@. Eu tenho sorte de ter uma mãe e irmãos toleráveis – nós discordamos em muita coisa, brigamos feio, mas nos amamos. Mas para por aí. Posso pegar todo os resto de minha família e jogar na lata de lixo não reciclável.

Por isto eu acredito que, muito mais do que sangue e DNA, são nossas escolhas que definem a duração e qualidade de uma relação interpessoal humana.

E é aí que entre Eu Te Darei O Sol. O slogan do livro o define perfeitamente: “o amor é apenas metade da história”. Porque o livro conta com romances, mas como uma música de fundo. Ele está lá, faz parte da história, mas o livro fala principalmente sobre irmandade, como escolhas afetam nossas vidas, como erros nos destroem se não soubermos ir à diante, enquanto conta a adolescência de irmãos gêmeos, Noah e Jude, que trilham caminhos diferentes na vida devido ciúmes e enormes mal entendidos.

Parece senso comum. Quantas histórias já não lemos sobre o assunto? Sim, há vários pontos que você, eu, nós lemos em tantos outros livros (uns bons, outros nem tanto). No entanto Eu Te Darei O Sol se destaca pela leveza e beleza da narrativa. A autora é poeta – e isto fica claro em sua narrativa em prosa. Contada em primeira pessoa por pontos de vista de duas pessoas de personalidade diferentes, a autora marca bem a narrativa de cada um. O leitor sabe muito bem quem está falando.

Para um menino de alma artística, uma narrativa cheias de metáforas de cores e surrealismo. Para uma menina supersticiosa marcada por um peso nos ombros por erros passados: uma narrativa mais crua.

A história é triste. A narrativa é bela. A construção da história é arrebatadora. O leitor descobre aos poucos o que realmente ocorreu no passado e a cada revelação (que sempre vêm leves por mais pesadas que sejam), uma reviravolta no estômago. É o tipo de livro que define se o leitor é pessimista ou otimista. Se você terminar o livro pensando “que história tristemente linda”, junte-se ao meu clube dos pessimistas. Se “que história linda” for sua reação ao livro, à direita tem a porta do clube dos otimistas.

Independentemente disto, Eu Te Darei O Sol é um sopro refrescante que a literatura jovem precisa. Personagens enfrentando seus demônios internos (já não está cansativo enfrentarem um governo ditatorial ou inimigos?) em histórias que vai surpreendendo o leitor aos poucos sem causar um rebuliço infame, em uma narrativa que se utiliza de metáforas com uma maestria linda.

Este é meu tipo preferido de livro e estou ansiosa para ler mais destes.


Trono de Vidro, de Sarah J. Maas (Trono de Vidro 1/3)

Capa do livro Trono de VidroSINOPSE: Depois de cumprir um ano de trabalhos forçados nas minas de sal de Endovier por seus crimes, Celaena Sardothien, 18 anos, é arrastada diante do príncipe. Príncipe Dorian lhe oferece a liberdade sob uma condição: ela deve atuar como seu campeão em um concurso para encontrar o novo assassino real. Seus adversários são ladrões e assassinos, guerreiros de todo o império, cada um patrocinado por um membro do conselho do rei. Se ela vencer seus adversários em uma série de etapas eliminatórias servirá no reino durante três anos e em seguida terá sua liberdade concedida. Celaena acha suas sessões de treinamento com o capitão da guarda Westfall desafiadoras e exaustivas. Mas ela está entediada com a vida da corte. As coisas ficam um pouco mais interessantes quando o príncipe começa a mostrar interesse por ela… Mas é o rude capitão Westfall que parece entendê-la melhor. Então um dos outros concorrentes aparece morto rapidamente seguido por outros… Pode Celaena descobrir quem é o assassino antes que ela se torne a nova vítima? A medida que a investigação da jovem assassina se desenrola a busca por respostas a leva descobrir um destino maior do que ela jamais poderia ter imaginado.

Trono de Vidro vem com os clichés de sempre de livros young adults: uma moça com uma habilidade acima da média, dois homens que se vêem mexidos por ela e uma missão que vai arrancar da moça um amadurecimento forçado.

Cadê a Cinderela?

Primeiro eu gostaria de perguntar cadê a Cinderela que a editora coloca na sinopse do livro. Pelo menos no primeiro livro não há nenhuma semelhança com a história Cinderela que o leitor possa entender o livro como uma remontagem do “conto de fadas”.

Personagens

Quando eu falo que no livro tem praticamente todos os clichés de livros YA, eu falo sério. Mas tirarei um: os personagens. A protagonista é muito mais forte do que normalmente se vê nos inícios dos livros. Normalmente você se depara com uma protagonista fraca, ignorante e machucada por um amor.

Apesar de uns deslises lá ou cá, Celeane é uma assassina e tem atitude de uma assassina. Não é boba e possui uma determinação evidente e constante e vigorosamente repetida durante o livro. Mas claro que sempre há aqueles momentos que o leitor vai suspirar e se perguntar porque ela fica neste vai-não-vai.

Como protagonistas temos Chaol e Dorian. Criados para serem colirio, eles dividem lados opostos da moeda: o extrovertido e o mais centrado. Dorian é o clássico príncipe herdeiro que espera sua vez para mudar as coisas e, oh, como esta vida palaciana é falsa. Chaol é mais centrado e contido ao mesmo tempo que tenta fazer algo estúpido (eu senti que ele queria fazer algo estúpido e impulsivo, ele tentou).

Falando de opinião pessoal, acho mais fácil compreender o tipo do Chaol. Tipos como Dorian parecem tentar buscar pena de leitores só por ele ser rico e lindo e as mulheres só vêem minha coroa. É chato e cansativo.

Mundo e Mitologia

O mundo é simples: um rei tirano e expansionista massacra todos os outros povos, massacrando suas culturas também. Premissa fortíssima que esbarra em um enorme cliché: o tirano mal por ser mal. É mal com o filho, mal com o mundo… Como um rei justifica todo o massacre? Quais suas motivações? Sendo justa, a história se focou muito no torneio e o rei passou maior parte do livro longe da ação mostrada ao leitor, mas a impressão que o livro passa é que o rei é cruel porque é mal. Não é porque ele acredita que a magia é algo ruim ou porque acredita que seu povo é superior… resta a esperança que nos outros livros os rei seja mais elaborado.

A mitologia parece ser mais interessante. Magias antigas, portais para outros mundos, demônios… daí uma coisa que fazia tempo que não via.

História x Romance

Aqui se encontra outro ponto diferencial de Trono de Vidro. A história começa a ser construída lentamente e no início não há indicação de romance. Conforme à história prossegue, o romance acabe entrando em cena gradualmente, inevitavelmente.

Posso dizer que a história caminharia muito melhor se a autora colocasse menos lenha no romance, colocando mais conflito e adiando um pouco as declarações de amores eternos. A história em si tem potencial sem necessitar de um conflito de triângulo amoroso ou de um clima de romance proibido. Sustentar o clima e provocação que a autora fez por grande parte do livro até mais para frente talvez fosse algo mais atraente para quem está cansado da fórmula de YA-mundo comandado por tirano-romance.

Narrativa

Aqui está a parte que a autora mais pecou. A narrativa parece seca e cheias de contradições. Uma hora o homem é tão rápido que Celeane não consegue vê-lo. Outra ele é lento demais para ela. Há muita repetição de sentimentos e situações que as vezes cansa o leitor em uma narrativa crua.

Enfim…

Trono de Vidro não me deixou super desejosa em ler sua continuação, mas também não me fez não querer lê-la.

O primeiro livro se ficou em um acontecimento só, mas a história tem um grande potencial que a autora deu brecha para se trabalhar. Explorando o mundo, a tirania, os rebeldes com um desenvolvimento dos personagens como nos próximos livros, sem perder o foco no romance, imagino que o livro possa entreter bastante.

Trono de Vidro, Throne of Glass, Sarah J. Maas, Série: Trono de Vidro #1, Editora Record

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Maratonas Literárias: #ayearathon e Bout of Books

Eu não participo de maratonas literárias. Nunca. Elas sempre acontecem em períodos complicados para mim – ou eu que estou sempre em períodos complicados?

De qualquer forma, este ano eu resolvi participar de duas maratonas literárias: a #ayearathon e a Bout of Books.

#AYEARATHON

A #ayearathon é um conjunto de maratonas literárias que ocorrem uma vez por mês, com duração de uma semana cada. Cada mês há um tema e a ideia é ler quantos livros forem possíveis que tenham o tema proposto. Segue as datas:

Janeiro (5-11): Stand Alone
Fevereiro (2-8): Diversidade
Março (2-8): Bench Warmers (hm, eu realmente não entendi a ideia deste mês)
Abril (6-12): Fantasia e Sci-Fi
Maio (4-10): Mês da releitura
Junho (1-7): Terminar ou alcançar séries
Julho (6-12): Agatha Christie/Mês do Mistério
Agosto (3-9): Adaptados para TV ou filmes (ou seriam livros que foram adaptados de TV ou filmes?)
Setembro (7-13): Livros banidos
Outubro (5-11): Mês LGBT
Novembro (2-8): Mitologia
Dezembro (7-13): Graphic Novels/Mangas/Comic Books/Picture Books

Este mês então é de stand alone. Eu pretendo ler um total de 311 páginas:
- terminar a leitura de 1984, de George Orwell (236 páginas);
- ler pelo menos 50 páginas de De Repente Acontece, de Susane Colasanti; e
- ler pelo menos 25 páginas de O Espião de Saiu do Frio, de John Le Carré.

BOUT OF BOOKS

A ideia do Bout of Books é de simplesmente ir além do sua quantidade de leitura durante uma semana. Esta maratona já está em seu 12ª edição e acontece mais de uma vez por ano. Esta tem todo um critério de se inscrever, mas, sabe… eu não gosto desta parte. Estou dando todo o crédito devido, contudo.

Segue a agenda:

Read-a-Thon atual:
Bout of Books 12 – 5/1/2015 — 11/1/2015

Próximas Read-a-Thons
Bout of Books 13 – 11/5/2015 — 17/5/2015
Bout of Books 14 – 17/8/2015 — 23/8/2015
Bout of Books 15 – 4/1/2016 — 10/1/2016

Como coincidiu as datas das duas maratonas, vou utilizar os mesmos livros da #ayearathon.

 


Sonhos Despedaçados, de Ellie James (Libélula da Meia-Noite 1/3)

Capa de Sonhos DespedaçadosSINOPSE: Em uma casa abandonada, um grupo de adolescentes joga Verdade ou Desafio. Antes de a noite acabar, a garota mais popular da escola desaparece como se fosse por mágica. Recém-chegada à cidade, Trinity preferiria não ter as visões que a atormentam tanto… Agora ela precisa agir rápido, porque todas as suspeitas levam até ela.

Sonhos Despedaçados é um livro de suspense sobrenatural adolescente que, obviamente, faz parte de uma série.

Trinity acabou de se mudar para a casa da tia em New Orleans após a morte de sua avó, que a criava. Em uma tentativa de fazer amigo e todo este jazz, ela vai com um grupo de “populares” explorar uma casa abandonada. E a partir daí Trinity começa a descobrir coisas sobre si mesma e seu passado que todos buscam ocultar dela, principalmente após a namorada do carinha que ela é afim desaparecer.

O livro trás uma história boa, apesar de um pouco batida: menina descobre que tem visões que poderiam ajudar a solucionar um caso. O problema é que a narrativa do livro deixa um pouco, senão muito, a desejar.

A narrativa é confusa (talvez influenciada pela FALTA DE TRAVESSÕES QUE A EDITORA DEIXOU PASSAR NA REVISÃO), mas não no sentido intencionalmente confusa. No sentido que parece que algumas coisas foram inseridas lá e a autora não planejou muito bem. Como bônus para confundir o leitor, os personagens são um vai e vem de emoções e atitudes que faz com que o leitor acabe sem realmente entendê-los. Nem mesmo a protagonista, que é a narradora.

Aliás, o leitor deve dar a Trinity o prêmio de personagem instável e burra. A criatura tem certeza que alguém a está perseguindo, mas corre sozinha pelas ruas de New Orleans, aceita bebida de um estranho, aceita ajuda de outro estranho que conheceu no dia anterior de forma bem suspeita, tudo em sequência. Sua frase favorita é “mas eu confiei em você”. Chega um momento que o leitor com certeza pensa que talvez ela devesse parar de confiar em pessoas que ela não conhece ou que conhece há pouco tempo. Chase, o interesse amoroso da Trinity, namorado da menina desaparecida, é outro personagem tão confuso quanto Trinity. Os dois são personagens incrivelmente vulneráveis que apesar de negarem algo durante cem páginas, basta alguém falar que aquilo é verdade para que eles aceitem tudo como verdade.

O livro prende o leitor que fica intrigado para saber a solução do mistério. Mas a narrativa e os personagens tão confusos e, posso dizer?, chatos (vamos contabilizar quantas vezes Trinity e Chase falam o nome um do outro sem grandes motivos?). A solução é rápida demais, vaga demais, desmotivada demais, mas, sabendo que é uma trilogia, talvez nos demais livros haja algo que explique.

Sonhos Despedaçados, Shattered Dreams, Ellie James, Série: Libélula da Meia-Noite #1, Editora Novo Conceito
Livro recebido em parceria com a editora.

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